Temporada

Descanso meu cansaço amigo
agora tão diferente
acompanhante de estações
em teu apoio, velha morada
dizendo o amor que carrego pelos outonos
e como saberia o que fazer
às folhas amareladas que
aos poucos caem quando venta
pouco e há silêncio às três.

Espero esse doce momento
mas quando te achegas nada se compara
à neblina constante que me inunda
enquanto tudo se ilumina ao redor
como a alvorada de um meio de ano
no cerrado, semelhante aos teus olhos.

Rio-me, derrotada.
Nego-me, ouço-te, aprendo teus traços
pincelo tua voz.

Fecham o outono os dias que se aproximam
o vento entrará pelas frestas,
eu estarei sozinha.
Pondo-te mais perto porém verás
que me reservo a pintar-te crepuscular sempre

impressionada de tuas cores e eternidade.