O amor não aceita terceirizados.
Para que comprar o Nescau
E o colocar à mesa
Se o olhar não dançar um pelo outro?
De que adianta entregar a toalha
Talvez esquecida de propósito
Se já não se encontram as mãos?
Qual é a alegria do encontro no sofá
Se o calor dos corpos não aproximam
E os ouvidos não voam ao encontro do relato do dia?
O amor cresce em gratidão
E também preenche o sentido da volta para casa.
Os sorrisos singelos
E as palavras repetidas outrora
Ainda mais sinceras agora
Se perdem pelo ar como a poeira no sol da janela
Desnudado desde muito antes: amor só é amor
Quando existe vida compartilhando vida
Até em noites de sono profundo e cansaço cotidiano,
Amor é a existência conjugada no outro.